Alexandre Serfiotis defende a importância da prevenção e do diagnóstico rápido do câncer

A prevenção, o diagnóstico, o acesso ao tratamento e o financiamento foram alguns dos desafios apontados por deputados e gestores de hospitais no combate ao câncer no Brasil. O assunto foi tratado em comissão geral no Plenário da Câmara dos Deputados. Alexandre Serfiotis, que faz parte da CSSF (Comissão de Seguridade Social e Família), destacou a importância da prevenção e do diagnóstico rápido da doença. “Como médico, ex-secretário de Saúde em meu município, Porto Real, por quase oito anos, uma questão importante é a prevenção. A atual gestão assumiu a cidade com uma fila de quase 500 mulheres aguardando para fazer uma mamografia. Instalamos um aparelho de mamografia e estamos zerando esta fila. Sou muito presente nos municípios da minha região e sei que este problema se repete em outras cidades”, lembra.

Serfiotis ressalta que uma medida interessante seria a capacitação dos PSF (Programa de Saúde da Família) nos municípios brasileiros, que define como porta da entrada da saúde. “Sabemos que existem cidades com apenas 30% ou 40% de cobertura de PSF. Como queremos que os pacientes de câncer sejam diagnosticados, façam tratamento, se eles não conseguem ter acesso à saúde básica. Temos que capacitar, estimular a ampliação do número de unidades de Saúde da Família, garantindo o diagnóstico. Temos que garantir recursos para que os usuários, os pacientes, tenham acesso ao exame complementar, ao raio-X, ao ultrassom, a tomografia, a biópsia, a mamografia, a endoscopia, para que aí, sim, possam ter seu diagnóstico feito a tempo e encaminhando para uma unidade de tratamento de câncer de alta complexidade”, afirma.

O deputado salientou a existência de uma lei que determina o início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico de câncer, mas lembrou que a discussão sobre uma política de acesso não pode esquecer a prevenção. “O tratamento é muito importante. Radioterapia, quimioterapia, medicamentos de altíssimo custo. Mas às vezes, num simples ultrassom, numa simples endoscopia ou numa simples colonoscopia, é onde está o segredo para esse paciente poder ter a chance de se curar e de superar esse câncer. A cada ano, surgem aproximadamente 600 mil novos casos de câncer no Brasil, sendo os mais comuns o de pele, o de próstata, o de mama, o de pulmão e o de útero”, disse. 

Presente ao debate, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, admitiu que o Brasil não dispõe de recursos para dar tratamento a todos os brasileiros na ordem de tecnologia e de custos. Mas o País tem buscado outros caminhos, seja pelo investimento em prevenção ou pelo barateamento da produção de medicamentos. “Já economizamos R$ 3,2 bilhões nesse primeiro ano da gestão basicamente reduzindo preço de compra de medicamentos. E vamos avançar muito mais porque, quanto mais barato nós compramos o medicamento, mais acesso nós damos às pessoas, mais medicamentos nós compramos com o mesmo dinheiro.”

Em outra frente, Ricardo Barros lembrou que o Brasil assumiu internacionalmente compromissos relativos à prevenção. São medidas que envolvem a redução de 30% em bebidas açucaradas ou o aumento em 17% no consumo de hortaliças e verduras até 2019, além da diminuição do sedentarismo e do tabagismo. “Cada vez mais o tratamento tem sido descentralizado e os recursos para essa finalidade passaram de R$ 2,1 bilhões para R$ 3 bilhões por ano, desde 2010”, concluiu o ministro.

Deixe um comentário