Importação de leite preocupa Alexandre Serfiotis

A importação de leite e derivados, principalmente do Uruguai, vem causando grandes prejuízos aos produtores brasileiros e para a cadeia produtiva do setorA informação é do deputado federal Alexandre Serfiotis, que pretende discutir o assunto em audiência no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “O Brasil, com produção de 33,7 bilhões, segundo dados do censo agropecuário realizado pelo IBGE em 2016, é o quarto maior produtor de leite do mundo e o maior do Mercosul. A Região Sul é a maior produtora brasileira, responsável por 35% dessa produção, seguido pelo Sudeste que produz 34%. Nossa região Sul Fluminense tem alta produção de leite e temos que dar total apoio ao nosso produtor”, argumenta Serfiotis.

Alexandre Serfiotis conta que a Câmara dos Deputados, através da Comissão de Agricultura, já criou uma subcomissão para tratar da questão, buscando somar forças com o Ministério da Agricultura para avaliar os critérios da importação de leite pelo Brasil, de forma a resguardar a produção nacional. Segundo o deputado, as notícias dão conta de que 68% da produção uruguaia de leite em pó está sendo destinada ao Brasil, numa operação com preço abaixo do custo do produto brasileiro.

– Falta clareza nos critérios econômicos adotados pelo Governo para autorizar a importação de leite, importação essa que vem levando à perda de competitividade dos produtores nacionais de lácteos. Países como o Uruguai, por exemplo, conseguem por meio de operação financeira abaixo do custo, colocar seu leite no nosso país em prejuízo dos pecuaristas brasileiros. Há necessidade de uma política antidumping, para neutralizar os efeitos danosos à indústria nacional. Dumping é a prática de exportar um produto a preço inferior ao praticado no mercado interno do país exportador com o objetivo de conquistar mercados ou dar vazão a excessos de produção. Esta prática é condenada pelo artigo VI do GATT (incorporado à Organização Mundial do Comércio), caso seja responsável por prejudicar ou ameaçar o desenvolvimento da indústria doméstica do país que recebe as importações – destaca Serfiotis.

O deputado lembra que já conversou sobre o assunto com o presidente da Cooperativa de Barra Mansa, Cláudio Meirelles, dentre outros produtores, e ouviu relatos sobre os prejuízos que essa importação causa ao produtor e à indústria nacional, que tem custo com encargos sociais, funcionários, insumos e implementos agrícolas. “Neste último mês já teria havido uma redução para o produtor de 20% a 30% no preço do litro de leite”, afirma Serfiotis.

Segundo o censo agropecuário de 2016, hoje existem cerca de 1,3 milhão de propriedades na produção primária de leite no Brasil. As cooperativas empregam 57 mil trabalhadores e a indústria gera 105 mil postos. O Brasil é o maior produtor do Mercosul. Em 2015, produziu 35 bilhões de litros, a Argentina 11 bilhões e o Uruguai apenas dois bilhões de litros de leite.“No que pese a importância destes dados, o país vem importando produtos lácteos em detrimento da produção nacional.Enquanto exportamos cerca de 168 milhões de dólares em produtos lácteos, a importação chegou a mais de 650 milhões de dólares em 2016. Dessa importação 92% tem vindo da Argentina e Uruguai – mais de 40 mil toneladas até julho 2017 deste último”, conclui Serfiotis.

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