Programa de Controle do Tabagismo apresenta balanço de 2017

“Muito mais disposição, melhorou meu paladar, minha respiração e até as dores passaram”, entusiasmou-se Simone da Silva Fernandes, que aderiu há pouco mais de uma semana ao Programa de Controle do Tabagismo, juntamente com a mãe, Dalva da Silva Fernandes. Simone fumou por mais de 20 anos e a mãe foi usuária do cigarro por 48 anos. Em Porto Real, 80 pessoas iniciaram o tratamento, e desse total, cerca de 43,7% abandonou o vício. As ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Saúde fazem parte do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que tem como objetivo reduzir a prevalência de fumantes e a consequente redução do índice de mortes relacionadas ao consumo de derivados do tabaco.

“O Programa segue um modelo no qual as ações educativas, de comunicação, de atenção à saúde, associadas às medidas legislativas e econômicas, se potencializam para prevenir a iniciação do tabagismo. Desse movo, a estratégia visa promover a cessação de fumar e proteger a população da exposição à fumaça ambiental do tabaco. Neste ano, 35 pessoas abandonaram o vício, uma taxa de 43,7% de cessação. No Brasil, foram relatadas taxas de cessação entre 23,5% e 50,8%, após pelo menos seis meses do início do tratamento”, afirmou a coordenadora do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, Ingrid Resende, que ainda destacou a importância do tratamento completo. “Cerca de 60% dos usuários têm recaídas. Por isso é importante que a pessoa em abstinência permaneça ainda na fase de manutenção do tratamento,  onde é acompanhado pelo profissional de saúde, pois o risco de recaída é alto”, frisou a coordenadora. A enfermeira Janaína Azenha, coordenadora do Programa de Hipertensão e Diabetes, realiza constantemente ações de conscientização quanto à relação entre o uso do tabaco e as doenças crônicas. “O uso do tabaco potencializa a pressão alta, que é um fator que pode desencadear a diabetes, por exemplo. Muito além de parar de fumar é necessário também tratar e prevenir o desenvolvimento de doenças crônicas relacionadas ao tabagismo”, ressaltou Janaína”.

Os usuários possuem toda assistência médica e psicológica necessária. Uma das profissionais que auxiliam no tratamento é a pneumologista, Lilian Pinto. “O hábito de fumar é responsável por inúmeros casos de câncer, como os de laringe, rins, bexiga e principalmente o câncer de pulmão. A maioria dos casos de câncer de pulmão está relacionada ao tabagismo”.

O Programa

Primeiramente acontece a consulta de avaliação inicial, onde é realizada uma entrevista inicial (coleta de dados, histórico de doenças, teste de dependência da nicotina; etc). Depois é realizada a abordagem cognitiva- comportamental (terapia que combina intervenções de conhecimento do paciente com treinamento de habilidades comportamentais). A abordagem é realizada em grupo ou individualmente, sendo composta de quatro sessões iniciais estruturadas, preferencialmente semanais, seguidas de 12 sessões até completar um ano de tratamento. O tratamento medicamentoso, quando indicado, é feito por meio de terapia de reposição de nicotina, goma de mascar e do antidepressivo, cloridrato de bupropiona 150 mg. Esses elementos podem ser utilizados individualmente ou em combinação.

Existem três métodos principais para a cessação do tabagismo, que podem ser adotados de forma conjunta ou individual: aconselhamento terapêutico individual ou em grupos, reposição de nicotina e medicamentos. O aconselhamento profissional é feito em encontros semanais com discussões sobre a importância de parar de fumar, as dificuldades ao longo do processo e orientações para evitar recaídas. A reposição é feita com o uso de adesivos ou gomas de mascar, cujas doses são gradualmente reduzidas, até a retirada completa. Ao iniciar a reposição de nicotina, a pessoa é orientada a interromper o hábito de fumar, começando, então, a se adaptar à nova condição. Já os medicamentos atuam nos neurotransmissores responsáveis pela vontade de fumar, reduzem os sintomas da abstinência, como irritabilidade e ganho de peso, e diminuem o risco de recaídas.