Rodrigo Drable recebe presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, em reunião do OLERJ

O prefeito de Barra Mansa Rodrigo Drable recebeu na manhã desta sexta-feira (23), o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, na segunda reunião do Observatório Legislativo da Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Durante o encontro, que ocorreu no Centro de Educação Integrada Vieira da Silva, no Centro da cidade, foi apresentada a metodologia que será aplicada ao trabalha do OLERJ durante a intervenção e ao longo de 2018. O evento reuniu diversas lideranças políticas, prefeitos, vereadores, deputados federais, secretários de Educação, representantes das Policias Civil e Militar e de entidades de serviço da região. A abertura do encontro contou com apresentação da Banda Sinfônica do Projeto Música nas Escolas, regida pelo maestro e secretário Educação, Vantoil de Souza Júnior.

O prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable, abriu a reunião do OLERJ explicando que o Consórcio Intermunicipal de Segurança com Cidadania do Médio Vale do Paraíba, se reuniu na última quinta-feira (02) para tratar dos desdobramentos e reflexos da intervenção federal no Sul Fluminense. “Nossa expectativa é de que o OLERJ traga ganhos efetivos e positivos para a região e produza melhorias que impactem na reestruturação das Polícias Civil, Militar e da Guarda Municipal. Precisamos de uma Policia Militar presente nas ruas e de uma Policia Civil com o seu setor de inteligência operando de maneira plena. Outras questões precisam ser avaliadas, como o porte de arma pela Guarda Municipal, a criação de um orçamento específico destinado aos Consórcios de Segurança em todo o Estado do Rio de Janeiro, a integração entre os setores de segurança dos municípios que replique em outras regiões e um entendimento com o Judiciário visando manter as prisões dos acusados reincidentes. Além disso, precisamos de investimentos na educação que habilite o segmento como vetor de combate a criminalidade”, disse o prefeito citando os casos de homicídio ocorridos em 2017.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, lembrou do momento delicado vivido pelo Estado do Rio de Janeiro. “Diante das dificuldades provocadas pela falta de segurança pública precisamos encontrar soluções que apontem para um futuro melhor. Enquanto legisladores estamos cumprindo o papel de fiscalizar e buscar soluções em conjunto com a sociedade civil organizada para acabar com as ações do crime organizado em um curto espaço de tempo. Estamos juntos para acompanhar e apoiar as leis que coíbam a violência. Paralelamente entendemos que a melhor maneira de garantir um futuro melhor para os nossos jovens é através da educação em tempo integral”, ressaltou.

Maia destacou a necessidade urgente de restabelecer a ordem pública no estado, gerar empregos, receber empresas e negócios. “O combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e de armas é responsável por 50% dos homicídios cometidos em nosso país, por isto a necessidade urgente de combater esses males da sociedade”.

A coordenadora do OLERJ, Andrea Perna, enumerou os objetivos do Observatório, enquanto mecanismo de fiscalização, planejamento e execução de metas. “Entre as atribuições do Observatório está o fomento à produção de pesquisas, estudos e avaliações da intervenção por meios de institutos de pesquisas, universidades e pesquisadores; o monitoramento de dados e informações referentes à segurança pública do Estado do Rio de Janeiro; o acompanhamento das demandas da sociedade sobre a intervenção por meio dos canais de interação da Câmara dos Deputados; o estímulo a elaboração de propostas que visem à transformação das realidades; a criação de espaços técnicos e fóruns de debates sobre a intervenção por meio de ferramentas digitais, além da realização de visitas e audiências públicas no estado”, salientou.

EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL – No decorrer da reunião, o prefeito Rodrigo Drable reafirmou que é essencial a implementação de uma política de educação para dar novo rumo ao futuro dos jovens. “Iniciamos a escola em tempo integral em algumas regiões com maiores índices de violência. Adaptamos módulos, com climatizadores e termoacústica para atender a grade curricular extra. Não podemos cruzar os braços diante da crescente estatística de violência. Neste primeiro momento estamos atendendo 2,6 mil alunos com a educação em tempo integral; a partir do segundo semestre deste ano, a expectativa é elevar este número para quatro mil alunos. Nossa projeção é chegar em 2019 atendendo a 35% da rede municipal de ensino e, em 2020, a 50%. É com muito estudo e conhecimento que pretendemos preparar nossos alunos para a vida”, analisou Rodrigo Drable.

O secretário de Educação de Barra Mansa, Vantoil de Souza, disse acreditar que todo investimento que está sendo feito em segurança pública no Estado do Rio, através da intervenção federal, será em vão caso não ocorra, incentivos plenos em políticas públicas de educação. “A educação em tempo integral traz a formação efetiva do ser humano, minimamente preparado para enfrentar os desafios do mercado de trabalho. Na região, temos a montadora da Volkswagen. Certamente as aulas de alemão serão um diferencial no momento de pleitar um vaga na empresa. E assim, sucessivamente, com a Peugeot Citroen e outras multinacionais”, disse Vantoil, destacando que a educação é a grande arma contra a violência.

Para o deputado federal Alexandre Serfiotis existe a necessidade de envolver a Polícia Federal e a Policia Rodoviária Federal nas discussões sobre o combate à violência. “As drogas e armamentos entram no país pelas fronteiras, daí a necessidade de envolver esses agentes na questão”.

O presidente da CDL – BM (Câmara de Dirigentes Lojistas), Xisto Vieira Neto, também manifestou sua preocupação com as decisões do Judiciário no que se refere ao relaxamento de prisão de suspeitos e presos em flagrante. O vereador Wellington Pires, assim como o delegado da 90ª DP, Ronaldo Aparecido, compartilharam a mesma preocupação.

– Há três anos estamos sofrendo com a falta de comprometimento do Poder Judiciário de Barra Mansa. A polícia prende e o judiciário solta – disse o delegado.

 O comandante do 28º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Márcio Guimarães, revelou que a violência cresce simultaneamente com a elevação na quantidade de apreensão de armas e drogas também. “Nos últimos dois anos, cerca de 90% dos esforços da Policia Militar foi no combate ao tráfico de armas e drogas”.

O prefeito de Volta Redonda, Samuca Silva, sugeriu que a OLERJ analise a autorização do uso de arma de fogo pela Guarda Municipal, acompanhada da questão do sucateamento da Segurança Pública. “A segurança não é tratada como prioridade no orçamento da União.

A professora Alice Brandão, de Resende, relatou que a solução encontrada pelo município para enfrentar a carência de recursos na educação foi o estreitamento da relação com a comunidade. “Com a falta de repasse de recursos do Mais Educação e do Brasil Alfabetizado tivemos que apelar para transformações da realidade a partir da própria comunidade. Criamos o observatório da violência nas escolas e passamos a trabalhar com indicadores reais. No entanto, precisamos de aporte do Governo Federal para prosseguir.

O aluno do 8º ano Renato Júnior, 13 anos, perguntou ao presidente da Câmara Federal sobre a duração da intervenção. Rodrigo Maia disse que a medida vai até dezembro deste ano, mas que o Observatório Legislativo funcionará até o dia 31 de janeiro de 2019.

O diretor de extensão e relações comunitárias do UBM (Centro Universitário de Barra Mansa), Fernando Vitorino, revelou que a instituição também criou um observatório para estudar e monitorar os dados de violência no município. O prefeito de Piraí e também presidente daAEMERJ (Associação Estadual de Municípios do Rio de Janeiro), Luiz Antonio, comentou sobre os números de policiais mortos no estado. “Tivemos mais de 150 óbitos de policiais em decorrência da violência no Rio de Janeiro. Os números são alarmantes e para reverter esse quadro é necessário rever a questão do repasse federal. Os municípios não conseguem mais absorver 30% das despesas gerais com apenas 18% de retorno da União”.

O diretor executivo do Cisegci, Jefferson Mamede, sugeriu a criação da Força Regional de Ordem Pública para atuar no combate a violência.

Já o prefeito de Resende, Diogo Balieiro, relatou que temia a migração de bandidos da capital para a região. “Felizmente essa ameaça não se concretizou. Estamos confiantes que a situação será mantida”.

O superintendente da Fundação Cultura Barra Mansa, Marcelo Bravo, presenteou Rodrigo Maia com livro e postais sobre a história do município. A gerente de turismo, Bella Santos, entregou ao presidente da Câmara uma produção das artesãs de Barra Mansa.